TA SUMARA TEMPO
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
EMPODERAMENTO DOS JOVENS, REALIDADE OU MITO?
Cabo Verde é uma República Democrática relativamente jovem á procura de construir valores que se cuadunem com o Estado de Direito Democrático instituído, a nosso ver, a partir da constituição de 1992, que vem consagrar um Estado de Direito Democrático assente nos princípios da soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democrática e no respeito pelos direitos e liberdades fundamentais[1]. É a partir de então que passa a haver uma verdadeira separação de poderes garantindo aos cidadãos a protecção dos seus direitos e liberdades fundamentais, subordinando o próprio Estado á Constituição e ao respeito pelo Princípio da Legalidade[2].
As estatísticas dizem-nos que cerca de 50% da população residente no arquipélago tem menos de 20 anos. Portanto, uma população muito jovem que indicia uma força reprodutiva acentuada e uma consequente renovação constante de oferta de mão de obra laboral tida no seu sentido amplo. Resulta que a constituição de família implica alguma sustentabilidade económica, à qual, Infelizmente, as políticas de ensino, formação e emprego, não têm conseguido dar uma resposta adequada e de acordo com os anseios que se vão gerando a nível dos jovens. Aliás, essa inquietação, por si natural, provocada pela busca do equilíbrio emocional e económico entre os jovens, tem contribuído para o aparecimento de uma série de fenómenos sociais reveladores de uma grande insatisfação e uma plena consciência de que uma das principais atribuições do Estado, é a de progressivamente ir criando as condições indispensáveis à remoção de todos os obstáculos que possam impedir o pleno desenvolvimento da pessoa humana e limitar a igualdade dos cidadãos e a efectiva participação destes na organização política, económica, social e cultural do Estado e da sociedade cabo-verdiana[3].
Ora o que se tem visto na prática é um acentuar de diferenças entre os poucos jovens que, terminada a licenciatura, têm a oportunidade de ocupar lugares importantes de gestão a nível da Administração Pública, devido ás suas relações essencialmente familiares ou partidárias, do que propriamente pelo mérito. Uma vez que os concursos são práticamente inexistentes e quando existem, na maior parte das vezes, os resultados são viciados.
Se atendermos ao facto de que a maior parte desses jovens têm pouca ou nenhuma experiência profissional e uma experiência de vida ainda inconsistente, que não ajuda a suprimir o natural défice de capacidade decisória de forma a produzir resultados mais eficientes e mais eficazes, facilmente perceberemos que em muitas áreas da administração pública o país fica dependente do experimentalismo desses jovens que pretendem fazer carreira na política com o mero propósito de obter o maior número de benesses possíveis oferecidas pelo Estado.
O facto de cerca de 50% dos potenciais votantes residentes no país serem jovens, torna-se numa enorme tentação para os partidos políticos que estejam no poder, enveredar pelo discurso do empoderamento dos jovens, deixando a ilusão que se está a criar oportunidades para todos, com fundamento na formação e no mérito, quando na verdade, apenas aqueles que têm alguma afinidade político-partidária com o partido que sustenta o poder, ou se propõem a repetir o discurso do líder, acabam por ser premiados com lugares de gestão na função pública ou nos vários institutos e projectos desenvolvidos pelo governo.
O que se tem feito, na verdade, não é mais do que promover uma certa imagem de sucesso daqueles que alinham cegamente com as políticas governamentais deixando no ar uma falsa ideia de que qualquer jovem pode também lá chegar se escolher "o caminho certo". É claro que essas políticas acabam por funcionar porque há uma forte aposta na promoção dessa imagem por parte do Estado e uma ambição desmedida da maior parte dos jovens deste país a quem vem faltando valores fundamentais para o são desenvolvimento desta sociedade como são o rigor, a humildade e o respeito pelos mais velhos.
Esta forma de agir dos Estado e dos seus órgãos, é uma clara violação do Princípio da Igualdade[4] que exige do Estado um tratamento igual para os iguais e diferenciado para os que são diferentes, no respeito pelos direitos de cada cidadão, tanto como na imposição do cumprimento dos seus deveres.
Ora , quando o Estado nomeia determinados cidadãos para ocupar lugares na Administração Pública cuja escolha deveria ser feita mediante concurso, está a violar o Principio da Igualdade porque dá um tratamento diferenciado a jovens que se encontram em igualdade de circunstâncias com os eleitos pelo partido que sustenta o governo.
Outro aspecto que nos parece relevante é o facto do mesmo princípio determinar que o Estado não pode isentar nenhum cidadão de qualquer dever que lhe seja exigível, em razão de sexo, ascendência, língua, origem, religião, condições sociais e económicas ou convicções políticas ou ideológicas. Sobre este aspecto, importa questionar se, quando o Estado atribui a determinado indivíduo um cargo para o qual não está manifestamente preparado para exercer com a competência que lhe é exigível, não estará a omitir o sua obrigação de exigir desse indivíduo o cumprimento cabal dos seus deveres?
A conclusão a que chegamos é que o Estado de Cabo Verde tem uma série de políticas direccionadas às camadas jovem da população que visa unicamente manter acesas determinadas ambições desses jovens de forma que estes votem continuamente nos projectos que lhes são apresentados, mas que na sua grande maioria, dificilmente conseguirão atingir os objectivos preconizados. Por um lado, porque muitas vezes assentam numa ambição exacerbada que lhes é incutida pelos próprios mecanismos de comunicação do Estado e por outro, porque temos um Estado que não respeita o princípio da Legalidade e que age muitas vezes em clara violação de princípios estruturantes dos Direitos Fundamentais - que são simultâneamente princípios estruturantes da República[5] - deixando assim de garantir a protecção dos direitos fundamentais desses jovens.
Acontece que o Princípio da Igualdade, acaba por ser o corolário do Princípio da Dignidade Humana que é o princípio base da nossa Lei Fundamental, que vem referido logo no Artigo 1º da nossa Constituição da República, seguido do Princípio da igualdade, no Artigo 2º e do Princípio da Democracia no Artigo 3º. Ou seja, segundo a estrutura sistemática da Constituição da República de Cabo Verde o poder político deve ser exercido em função das pessoas.
Para J. J. Gomes Canotilho e Vital Moreira, a Constituição, ao basear a República na Dignidade da Pessoa Humana, explicita de forma inequívoca que o "poder" ou o "domínio" da República terá de assentar em dois pressupostos onde radica a elevação da dignidade da pessoa humana que é a trave mestra de sustentação e legitimação da República e da respectiva compreensão da organização do poder político: "em primeiro lugar está a pessoa humana e depois a organização política; a pessoa é sujeito e não objecto, é fim e não meio de relações jurídico-sociais"[6].
[1] Artigo 2º/1 da Constituição da Repúplica de Cabo Verde (CRCV)
[2] Artigo 3º/2 CRCV
[3] Artigo 1º/4 CRCV
[4] Artigo 24º CRCV
[5]José Pina Delgado, Liriam Tíujo Delgado, Teoria Geral dos Direitos Fundamentais 2.4.1
[6]Joaquim José Gomes Canotilho; Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada volume I
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
VIOLÊNCIA COVARDE E GRATUITA
Na semana passada a comunicação social nacional noticiou pelo menos mais três mortes na cidade da Praia e uma no Mindelo, com fortes indícios de se tratar de casos de homicídio, consumados, todos eles, com armas brancas. Portanto, com actos em que houve contacto entre o agressor e a vítima, o que para mim, torna esse tipo de crime mais hediondo. Porém, não obstante os crimes contra a vida serem os mais graves, por afectar o bem mais precioso da nossa comunidade e dos Estados Liberais, chamou-me especial atenção, a notícia sobre o assalto e a agressão covarde e gratuita contra um pastor da Igreja do Nazareno na localidade de Bela Vista. Talvez até influenciado pelo facto de os crimes contra a vida virem sendo noticiados com alguma regularidade e pelos mais variados motivos, a notícia da agressão a esse Pastor, alertou-me para o facto de os criminosos não se contentarem com o espólio conseguido com o assalto mas fazerem questão de causar lesões corporais a um representante de uma instituição religiosa que normalmente serve de porto de abrigo ás famílias mais vulneráveis, tanto em termos psicológicos como em termos materias e por esse motivo, normalmente, goza de especial respeito por parte das populações.
A conjugação destes sinais deveria ser motivo de alarme para todos nós e de especial atenção da parte das autoridades policiais e do governo, pois que a qualquer momento poderemos ser nós, o cidadão anónimo, as vitimas desses meliantes que não respeitam minimamente a vida do próximo, nem tão pouco, as instituições que representam a proteção daqueles que vivem com todo o tipo de dificuldades. É que não se põe aqui a questão da disputa da liderança territoritorial pelos chamados grupos de THUGS, nem muito menos da aquisição de bens materiais para suprimir problemas financeiros. Trata-se de violência gratuita contra a integridade física das pessoas, muitas vezes, associado ao consumo de álcool e de drogas pesadas, de onde advém uma clara falta de controlo emocional dos agressores. Pura adrenalina e inversão dos valores que normalmente são passados para a sociedade através de instituições como a família, a escola e as representações religiosas.
A conjugação destes sinais deveria ser motivo de alarme para todos nós e de especial atenção da parte das autoridades policiais e do governo, pois que a qualquer momento poderemos ser nós, o cidadão anónimo, as vitimas desses meliantes que não respeitam minimamente a vida do próximo, nem tão pouco, as instituições que representam a proteção daqueles que vivem com todo o tipo de dificuldades. É que não se põe aqui a questão da disputa da liderança territoritorial pelos chamados grupos de THUGS, nem muito menos da aquisição de bens materiais para suprimir problemas financeiros. Trata-se de violência gratuita contra a integridade física das pessoas, muitas vezes, associado ao consumo de álcool e de drogas pesadas, de onde advém uma clara falta de controlo emocional dos agressores. Pura adrenalina e inversão dos valores que normalmente são passados para a sociedade através de instituições como a família, a escola e as representações religiosas.
Domingo, 25 de Dezembro de 2011
CIZE
CESÁRIA ÉVORA
Por estes dias assitimos a todo o tipo de mensagem de condolências e de enaltecimento daquela que foi, até então, a maior figura da cultura cabo-verdiana, pela forma como consegui levar o nome e a alma de Cabo Verde aos mais recônditos lugares deste mundo. Em muitos países, ainda, a única referência que têm sobre Cabo Verde é o nome, a pessoa e a música que Cize transportou com a sua voz melodiosa e encantadora. Cesária Évora, no dizer de Vasco Martins, entre outras qualidades, tinha uma capacidade de afinação musical excepcional. Mas a meu ver, para além desse seu dom musical, o que mais se destacava em Cize, era a sua simplicidade e generosidade perante a fama que alcançou, o seu discurso sempre muito natural e autêntico. Não buscava respostas nem discursos elaborados, respondia às perguntas que lhe eram postas com respostas que demonstravam um profundo conhecimento das agruras da vida sem se mostrar minimamente afectada com o deslumbramento da fama que se reflectia constantemente nos seus interlocutores. Não aceitava qualquer tipo de comparações com outras figuras famosas do mundo do espectáculo: dizia admirá-las pela sua obra mas mantinha sempre os seus pés descalços em terra firme ainda que muitas vezes colocada nas nuvens. Ela era e seria sempre "CESÁRIA ÉVORA". Cantava por prazer e isso para ela era fundamental. Dizia ser agradável saber que as pessoas a admiravam e apreciavam o seu modo de cantar o destino deste povo, a alma deste povo sofredor. Dava-lhe especial prazer saber que podia assim contribuir para a felicidade dos seus admiradores. Aliás, esse parecia ser uma das grandes preocupações de Cize, poder partilhar com os outros o sucesso que conseguiu alcançar não obstante as dificuldades por que passou durante um largo período da sua vida. Para ela o sucesso era uma dádiva que devia ser partilhada de todas as formas possíveis para ajudar os outros,a serem, também eles, minimamente felizes.
Conta-se que quando passava por Lisboa, Cize fazia questão de pedir que lhe trocassem algumas notas de 10 e 20 euros que levava num saco de compras de supermercado para distribuir ás famílias de cabo-verdianos que viviam com dificuldades nos bairros sociais da capital portuguesa. Também em Mindelo, sua cidade natal, Cize era conhecida por estar sempre preocupada em ajudar os mais necessitados.
É esta faceta genuinamente humana de Cize que a torna uma figura incontornável e insubestituível. Portanto, quando se fala de possíveis sucessoras para a Cesária Évora, só se poderá estar a falar da probalidade de vir a aparecer dentro do roll de artistas cabo-verdianos contemporâneos, alguém que pelo seu talento, possa vir a ter um percurso artístico que, de alguma forma, o faça aproximar-se, em termos de respeito e admiração, do que Cesária Évora conseguiu.
A morte de Cize conseguiu surpreender a nação porque nunca em vida, em Cabo Verde, terá merecido a manifestação de respeito e admiração que foi demonstrada na hora da sua despedida derradeira. Afinal, também em Cabo Verde, Cize tinha muitos admiradores secretos que só se vieram a revelar como tal no momento da sua morte.
Outra surpresa que o passamento de Cesária Évora nos trouxe foi o desfilar de mornas e coladeiras na nossa rádio nacional que normalmente tem outro tipo de alinhamento musical. Espero que essa seja uma opção a ter em conta não só nos momentos de dizer adeus aos nossos artistas de renome em reconhecimento póstumo à sua obra, mas que que seja uma opção de divulgação da nossa cultura, da nossa música e dos seus melhores intérpretes. É que para além do lado comercial, a nossa rádio nacional, tem por dever, ajudar na divulgação e preservação dos valores que enformam a nossa cultura.
Sim, Cabo Verde fica mais pobre com o desaparecimento físico de Cesária Évora! Mas, o legado que nos é deixado, em termos de valores humanos, culturais e artísticos, é enorme. É por isso preciso que saibamos respeitá-lo e preservá-lo.
A minha vénia a esta Senhora que se consagrou como sendo uma das maiores figuras da cultura e da música cabo-verdiana. Cesária Évora!
Por estes dias assitimos a todo o tipo de mensagem de condolências e de enaltecimento daquela que foi, até então, a maior figura da cultura cabo-verdiana, pela forma como consegui levar o nome e a alma de Cabo Verde aos mais recônditos lugares deste mundo. Em muitos países, ainda, a única referência que têm sobre Cabo Verde é o nome, a pessoa e a música que Cize transportou com a sua voz melodiosa e encantadora. Cesária Évora, no dizer de Vasco Martins, entre outras qualidades, tinha uma capacidade de afinação musical excepcional. Mas a meu ver, para além desse seu dom musical, o que mais se destacava em Cize, era a sua simplicidade e generosidade perante a fama que alcançou, o seu discurso sempre muito natural e autêntico. Não buscava respostas nem discursos elaborados, respondia às perguntas que lhe eram postas com respostas que demonstravam um profundo conhecimento das agruras da vida sem se mostrar minimamente afectada com o deslumbramento da fama que se reflectia constantemente nos seus interlocutores. Não aceitava qualquer tipo de comparações com outras figuras famosas do mundo do espectáculo: dizia admirá-las pela sua obra mas mantinha sempre os seus pés descalços em terra firme ainda que muitas vezes colocada nas nuvens. Ela era e seria sempre "CESÁRIA ÉVORA". Cantava por prazer e isso para ela era fundamental. Dizia ser agradável saber que as pessoas a admiravam e apreciavam o seu modo de cantar o destino deste povo, a alma deste povo sofredor. Dava-lhe especial prazer saber que podia assim contribuir para a felicidade dos seus admiradores. Aliás, esse parecia ser uma das grandes preocupações de Cize, poder partilhar com os outros o sucesso que conseguiu alcançar não obstante as dificuldades por que passou durante um largo período da sua vida. Para ela o sucesso era uma dádiva que devia ser partilhada de todas as formas possíveis para ajudar os outros,a serem, também eles, minimamente felizes.
Conta-se que quando passava por Lisboa, Cize fazia questão de pedir que lhe trocassem algumas notas de 10 e 20 euros que levava num saco de compras de supermercado para distribuir ás famílias de cabo-verdianos que viviam com dificuldades nos bairros sociais da capital portuguesa. Também em Mindelo, sua cidade natal, Cize era conhecida por estar sempre preocupada em ajudar os mais necessitados.
É esta faceta genuinamente humana de Cize que a torna uma figura incontornável e insubestituível. Portanto, quando se fala de possíveis sucessoras para a Cesária Évora, só se poderá estar a falar da probalidade de vir a aparecer dentro do roll de artistas cabo-verdianos contemporâneos, alguém que pelo seu talento, possa vir a ter um percurso artístico que, de alguma forma, o faça aproximar-se, em termos de respeito e admiração, do que Cesária Évora conseguiu.
A morte de Cize conseguiu surpreender a nação porque nunca em vida, em Cabo Verde, terá merecido a manifestação de respeito e admiração que foi demonstrada na hora da sua despedida derradeira. Afinal, também em Cabo Verde, Cize tinha muitos admiradores secretos que só se vieram a revelar como tal no momento da sua morte.
Outra surpresa que o passamento de Cesária Évora nos trouxe foi o desfilar de mornas e coladeiras na nossa rádio nacional que normalmente tem outro tipo de alinhamento musical. Espero que essa seja uma opção a ter em conta não só nos momentos de dizer adeus aos nossos artistas de renome em reconhecimento póstumo à sua obra, mas que que seja uma opção de divulgação da nossa cultura, da nossa música e dos seus melhores intérpretes. É que para além do lado comercial, a nossa rádio nacional, tem por dever, ajudar na divulgação e preservação dos valores que enformam a nossa cultura.
Sim, Cabo Verde fica mais pobre com o desaparecimento físico de Cesária Évora! Mas, o legado que nos é deixado, em termos de valores humanos, culturais e artísticos, é enorme. É por isso preciso que saibamos respeitá-lo e preservá-lo.
A minha vénia a esta Senhora que se consagrou como sendo uma das maiores figuras da cultura e da música cabo-verdiana. Cesária Évora!
Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011
A CRISE ESTÁ EM NÓS!
Entraram porta dentro, armas em riste, cabeças encapuçadas, apontaram as armas á cabeça dos empregados e pediram o dinheiro da caixa. Não satisfeitos, percorreram todos os quartos do estabelecimento á procura de mais dinheiro e foram-se embora sem levar mais nada. Aconteceu assim no Café Sofia, na praça Dr. Loreno, em pleno centro da capital, como tinha acontecido no Cometa, outro dos mais frequentados bares da cidade, na Achada Sto. António. A polícia, soube do ocorrido quando foi apresentada a queixa na esquadra, onde está acantonada. Normalmente, só sai para passar umas coimas por infracções ás regras de trânsito e para intervir nos bairros mais críticos da urbe, quando são para isso chamados e os carros de patrulhamento estão abastecidos com combustível. Deixou de se investir na prevenção, o Estado cedeu o seu "poder legítimo do uso de violência contra o cidadão" aos THUGS. Tudo lhes é Permitido: Desde a invasão ao domicílio para cometer crimes contra a vida, até encontros com o Primeiro Ministro e cachupadas com membros do governo á mistura. Afinal não somos imunes á crise! O pior, é que para além da crise económica, sofremos de uma galopante crise de valores éticos e morais. A corrupção alastra-se nas instituições do Estado, as familias retiram a autoridade aos professores nas escolas e ficam reféns das gangs juvenis, da falta de renda provocada pelo desemprego e pelas políticas sociais que aos poucos vão fragilizando essa célula fundamental da sociedade. E nós, refugiamos-nos nos nossos lares, olhamos para a TV desligada e culpamos a crise e a oposição.
A crise está em nós!
A crise está em nós!
Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011
POLÍTICA TENDO COMO FIM O BEM COMUM
Estamos em Outubro, em breve, com o virar do ano, teremos eleições autárquicas. Na Praia, o meu município, Ulisses Correia e Silva perfila-se como o candidato com maiores probabilidades de vencer o pleito eleitoral, fruto de um trabalho á frente da Câmara Municipal que tem tornado a cidade com uma melhor estética e mais funcional.
Ulisses, apesar da polémica que se gerou á volta da questão, conseguiu retirar os vendedores ambulantes das ruas do platô, libertando os passeios para o transeuntes, mas ficaram os cambistas que vêm aos poucos ocupando o lugar dos vendedores ambulantes. O caso dos cambistas é de solução mais simples do que a que se relacionava com o da venda ambulante pelas ruas do platô porque esta actividade é de todo ilegal e segundo o que tem vindo a público, através dos meios de comunicação social, está ligada ao tráfego e venda de armas e munições. Portanto, não implica a criação de um espaço para albergar estes meliantes. Sendo certo que, no entanto, este será um trabalho para a Polícia Nacional e não da Câmara Municipal.
Ulisses tornou a rua 5 de Julho num espaço aprazível para todos quantos se deslocam ao Plateau, investiu em actividades culturais e aos poucos vai apetrechando a cidade de espaços de convívio público que vão desde as praças inauguradas em vários bairros periféricos da capital, até á construção de uma nova esplanada na Praça Alexandre Albuquerque. Toda essa obra que está a ser feita pelo actual Presidente da Câmara Municipal e seus pares, poderá ser um estímulo ao convívio em espaço público, reavivando assim, o espiríto de comunidade que aos poucos se vai perdendo devido á insegurança que graça pela cidade e por quase todo o país.
Por outro lado, Correia e Silva, herdou da anterior câmara de Felisberto Vieira uma situação dificil de propagação de bairros clandestinos, fruto de políticas populistas que urge combater, pelos vários problemas sociais que este fenómeno em franca expansão trás por arrastamento, que vai desde a falta de organização urbanística até á propagação de grupos de delinquentes juvenis, do roubo de energia eléctrica, da falta de salubridade desses bairros que reúnem condições propicias para a propagação de doenças como a malária e a dengue muito presentes entre nós.
Porém, também nesta matéria, para que se possa proceder à reabiliação desses bairros, parece que será necessário uma forte cooperação com o governo, porque em alguns casos, será necessário realojar algumas famílias e, isso só será possível, através da criação de bairros sociais bem estruturados. Há no entanto, a meu ver, uma forte necessidade de uma intervenção fiscalizadora, principalmente nos bairros emergentes, evitando assim avultados prejuízos, tanto para as famílias envolvidas neste processo, bem como para o próprio Estado. É que deixar que sejam construídas as casas para depois vir demolir, para além dos confrontos entre a população e as autoridades estatais, acaba por provocar danos a ambas as partes que poderiam ser evitados com uma intervenção fiscalizadora mais eficiente.
Existem no entanto bairros onde a solução terá que passar pelo seu reordenamento, criando espaços de circulação para que possa haver acessos rápidos em caso de acidentes, bem como a criação equipamentos sociais que sirvam de apoio ás familias que ali vivem e ajudem a encurtar as distâncias da integração social. Nestes casos, parece-me de maior importância, a criação e envolvimento de associações de zona que possam ajudar os moradores a melhor entender quais a necessidades prioritárias para cada bairro e ajudar a envolver a comunidade neste processo, e na correcta utilização desses equipamentos.
A requalificação de parte da zona litoral tem vindo a proporcionar o aparecimento de mais espaços de lazer públicos e privados não obstante alguns dos gerentes e proprietários da maioria desses espaços privados continuarem a insistir em ter como música ambiente música mais adequada a discotecas do que propriamente ao tipo de negócio que gerem, onde devia prevalecer a paisagem e um som ambiente que propiciasse a contemplação e a conversa. Isso faz com que a cidade ganhe mais espaços de lazer em termos de quantidade mantendo o défice de qualidade já existente. Contudo, apesar de faltar ainda muito por fazer, Ulisses Correia e Silva coseguiu, incontestávelmente, melhorar as condições de vida de quem vive na Praia, de tal forma que já é tido como certa a sua vitória nas próximas eleições autárquicas, a tal ponto que, os outros partidos, e principalmente o grande rival do MPD, o PAICV, começa a ter dificuldades em apresentar um candidato para confrontar-se com o actual Presidente da Câmara da Praia.
Com esta atitude, Ulisses Correia e Silva está a demonstrar que, realmente, os problemas que a Praia enfrentava e ainda enfrenta, têm soluções, e que, é possível, não só resolver esses problemas, bem como, conquistar a admiração dos eleitores através do trabalho e da apresentação de ideias que visem resolver os problemas que afligem os munícipes no seu dia-a-dia. Afinal, também é possível fazer política trabalhando em prol do bem comum!
Ulisses, apesar da polémica que se gerou á volta da questão, conseguiu retirar os vendedores ambulantes das ruas do platô, libertando os passeios para o transeuntes, mas ficaram os cambistas que vêm aos poucos ocupando o lugar dos vendedores ambulantes. O caso dos cambistas é de solução mais simples do que a que se relacionava com o da venda ambulante pelas ruas do platô porque esta actividade é de todo ilegal e segundo o que tem vindo a público, através dos meios de comunicação social, está ligada ao tráfego e venda de armas e munições. Portanto, não implica a criação de um espaço para albergar estes meliantes. Sendo certo que, no entanto, este será um trabalho para a Polícia Nacional e não da Câmara Municipal.
Ulisses tornou a rua 5 de Julho num espaço aprazível para todos quantos se deslocam ao Plateau, investiu em actividades culturais e aos poucos vai apetrechando a cidade de espaços de convívio público que vão desde as praças inauguradas em vários bairros periféricos da capital, até á construção de uma nova esplanada na Praça Alexandre Albuquerque. Toda essa obra que está a ser feita pelo actual Presidente da Câmara Municipal e seus pares, poderá ser um estímulo ao convívio em espaço público, reavivando assim, o espiríto de comunidade que aos poucos se vai perdendo devido á insegurança que graça pela cidade e por quase todo o país.
Por outro lado, Correia e Silva, herdou da anterior câmara de Felisberto Vieira uma situação dificil de propagação de bairros clandestinos, fruto de políticas populistas que urge combater, pelos vários problemas sociais que este fenómeno em franca expansão trás por arrastamento, que vai desde a falta de organização urbanística até á propagação de grupos de delinquentes juvenis, do roubo de energia eléctrica, da falta de salubridade desses bairros que reúnem condições propicias para a propagação de doenças como a malária e a dengue muito presentes entre nós.
Porém, também nesta matéria, para que se possa proceder à reabiliação desses bairros, parece que será necessário uma forte cooperação com o governo, porque em alguns casos, será necessário realojar algumas famílias e, isso só será possível, através da criação de bairros sociais bem estruturados. Há no entanto, a meu ver, uma forte necessidade de uma intervenção fiscalizadora, principalmente nos bairros emergentes, evitando assim avultados prejuízos, tanto para as famílias envolvidas neste processo, bem como para o próprio Estado. É que deixar que sejam construídas as casas para depois vir demolir, para além dos confrontos entre a população e as autoridades estatais, acaba por provocar danos a ambas as partes que poderiam ser evitados com uma intervenção fiscalizadora mais eficiente.
Existem no entanto bairros onde a solução terá que passar pelo seu reordenamento, criando espaços de circulação para que possa haver acessos rápidos em caso de acidentes, bem como a criação equipamentos sociais que sirvam de apoio ás familias que ali vivem e ajudem a encurtar as distâncias da integração social. Nestes casos, parece-me de maior importância, a criação e envolvimento de associações de zona que possam ajudar os moradores a melhor entender quais a necessidades prioritárias para cada bairro e ajudar a envolver a comunidade neste processo, e na correcta utilização desses equipamentos.
A requalificação de parte da zona litoral tem vindo a proporcionar o aparecimento de mais espaços de lazer públicos e privados não obstante alguns dos gerentes e proprietários da maioria desses espaços privados continuarem a insistir em ter como música ambiente música mais adequada a discotecas do que propriamente ao tipo de negócio que gerem, onde devia prevalecer a paisagem e um som ambiente que propiciasse a contemplação e a conversa. Isso faz com que a cidade ganhe mais espaços de lazer em termos de quantidade mantendo o défice de qualidade já existente. Contudo, apesar de faltar ainda muito por fazer, Ulisses Correia e Silva coseguiu, incontestávelmente, melhorar as condições de vida de quem vive na Praia, de tal forma que já é tido como certa a sua vitória nas próximas eleições autárquicas, a tal ponto que, os outros partidos, e principalmente o grande rival do MPD, o PAICV, começa a ter dificuldades em apresentar um candidato para confrontar-se com o actual Presidente da Câmara da Praia.
Com esta atitude, Ulisses Correia e Silva está a demonstrar que, realmente, os problemas que a Praia enfrentava e ainda enfrenta, têm soluções, e que, é possível, não só resolver esses problemas, bem como, conquistar a admiração dos eleitores através do trabalho e da apresentação de ideias que visem resolver os problemas que afligem os munícipes no seu dia-a-dia. Afinal, também é possível fazer política trabalhando em prol do bem comum!
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
PAÍS DE DESENVOLVIMENTO MÉDIO
O governo em vez de criar condições económicas para que as famílias cabo-verdianas possam ter emprego e renda para construir as suas casas, constituir família e sustentá-la condignamente, distribui material de construção civil, deixa que roubem energia eléctrica, que nos roubem a nossa liberdade de livre circulação de pessoas e bens para que os filhos daqueles que vivem miserávelmente também possam ter ténis e roupas de marca. O governo em vez de criar condições económicas para que os que vivem com dificuldades possam ter esperança num futuro melhor para os seus descendentes vai aos poucos empobrecendo a classe média através de politicas populistas que só servem para ir mantendo o status quo e uma quantidade de benesses distribuidas entre alguns camaradas!
Surpreende-me a falta de ambição e de capacidade de indignação de quem vive, principalmente, na cidade da Praia, onde os cortes de energia têm sido cada vez mais regulares e a resposta que se vê, é o aparecimento de cada vez mais geradores de energia eléctrica que poluem o ambiente com fumo de gasóleo e o barulho das suas máquinas.
Aos poucos vai-nos sendo tirada a qualidade de vida que conseguimos conquistar com muito esforço desde a data da nossa independência para cá e vai-se hipotecando o futuro das gerações vindouras em nome da manutenção do poder por parte dos partidos politicos. Parece que nos recusamos a olhar para os exemplos que vêm de fora, de países europeus que atingiram niveis de endividamento público que se tonaram insustentáveis devido a más politicas económicas traçadas pelos partidos que se encontravam no poder e que está a ser pago pela classe média e por aqueles que vivem com maior dificuldade.
Surpreende-me a falta de ambição e de capacidade de indignação de quem vive, principalmente, na cidade da Praia, onde os cortes de energia têm sido cada vez mais regulares e a resposta que se vê, é o aparecimento de cada vez mais geradores de energia eléctrica que poluem o ambiente com fumo de gasóleo e o barulho das suas máquinas.
Aos poucos vai-nos sendo tirada a qualidade de vida que conseguimos conquistar com muito esforço desde a data da nossa independência para cá e vai-se hipotecando o futuro das gerações vindouras em nome da manutenção do poder por parte dos partidos politicos. Parece que nos recusamos a olhar para os exemplos que vêm de fora, de países europeus que atingiram niveis de endividamento público que se tonaram insustentáveis devido a más politicas económicas traçadas pelos partidos que se encontravam no poder e que está a ser pago pela classe média e por aqueles que vivem com maior dificuldade.
Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
MINDELO
Foi muito agradável para mim voltar a Mindelo após alguns anos de ausência. Foi assim de repente, após um fim-de-semana deprimente na capital. Mudei os meus planos de início de férias e rumei ao Mindel(act). Faltavam quatro dias para o encerramento do festival de teatro e lá estava eu na noite de Mindelo. O encontro com amigos que curiosamente vivem na capital e que estavam lá por causa do festival salvou a minha primeira noite em Mindelo. Estivemos nas varandas do Hilário e ouvi histórias do que terá sido a Galeria de Nho Djunga. Achei pena que a cidade não conseguisse capitalizar um momento tão alto de expressão cultural que se vem repetindo todos os anos desde o momento em que João Branco e a associação a que pertence deu início a esta epopeia do teatro em terras de S. Vicente. Ouvi estórias de caço-bodi nas ruas do centro de Mindelo, da falta de segurança e de dinheiro que feicha as pessoas em casa. reparei que a praça nova já não tem o mesmo movimento de outros tempos e que mesmo durante o festival de teatro internacional a noite acaba com o off no atrio do centro cultural do Mindelo, um magnifico edificio recuperado ainda nos tempos em que António Jorge Delgado era Ministro da Cultura. Nesse belo edifício existe também uma livraria que espero não ter o mesmo fim do que aquela que funcionava no Palácio da cultura, na cidade da Praia. Afinal, faz-nos mais falta, no centro da cidade e no edificio público que simboliza o acesso á cultura e a promoção de eventos que visem promover a fruição cultural, uma livraria, do que um banco... ainda que seja da cultura! Este tipo de opções traduz, de certa forma, a impotância que damos ao acesso ao conhecimento em contraposição com o acesso ao dinheiro.
A noite seguinte foi fantástica... pude assistir a um dos momentos altos do Festival. POR UM PUNHADO DE TERRA era a peça escolhida para a noite no auditório do Centro Cultural do Mindelo. Terminou com o público em êxtase a aplaudir o actor deste monólogo tão efusivamente que teve que regressar por três vezes ao palco para agradecer a entusiástica ovação. Sala cheia, como aliás acontece sempre nas noites de Mindelact.
Mindelo, por estes tempos, é uma cidade que tem muito a oferecer, muito mais do que gente a procurar pelos seus encantos. Gostei de estar no Café Mindelo, na Bodeguita de Mindelo, no Vô, nas varandas do Hilário, no Tapas... numa noite sem alternativas, depois de um bom concerto de jazz ao vivo, ouvi jazz fusion num bar dito de streep-tease e acabei num baranga party a ver a praia da laginha por entre grades, qual ave de capoeira. Tive pena de não ter tido tempo suficiente para sentar e apreciar um bom vinho no Zero Point Art Galery... por vezes falta luz, mas não falta arte em Mindelo.
O Mindelact terminou com a leitura de uma mensagem escrita do Presidente da República, uma homenagem muito sentida a Enano, uma festa no pátio do CCM e uma cidade ás escuras onde as opções se encurtam e ficamos confinados aos habitáculos de dois carros em que alguns amigos resolveram fazer um tour pela noite de Mindelo.
Tenho para mim que são as pessoas que fazem os lugares e S. Vicente continua a ter gente e lugares muito agradáveis. S. Vicente continua a ter gente que se indigna com a forma como foi entregue um espaço tão importante para a cidade como é a Marina de Mindelo a um estrangeiro (não tenho nada contra os estrangeiros que vivem em Cabo Verde nem sentimentos de xenofobia) e a forma como é gerida e fiscalizada essa estrutura de assistência a embarcações de recreio e yates de pequeno porte que passam por Mindelo, onde diz-se acontecer todo o tipo de negócios obscuros que vão desde o tráfego de drogas até á prostituição infanto-juvenil; Que se indigna com o descaso que o governo vem demonstrando ao longo dos últimos anos em relação ao problema do desemprego dos jovens que se reflete nos altos níveis de criminalidade e insegurança que assola a cidade; Na falta de energia que se vem adensando, provocando grandes prejuízos a quem já se debate com muitas dificuldades para ir sobrevivendo; Na forma como os emigrantes de regresso à terra têm que negociar com os funcionários das alfandegas para poderem retirar os pertences que trazem para retomar as suas vidas em Cabo Verde... mas, também, tem gente que gosta de Jazz, de pintura, de teatro, de boa conversa á volta de uma boa garrafa de vinho. Porém, o maior desafio que me parece terem que vencer os mindelenses é esse estado de letargia em que parecem ter caído que os impede de aproveitar as oportunidades de negócio a cidade lhes oferece.
Hoje, ausente do meu torrão natal em gozo de férias, oiço que o nosso primeiro ministro discursou em crioulo nas Nações Unidas e que a distribuição de àgua e energia eléctrica na capital continua a agravar-se! Parece-me que um dos grandes desafios de quem governa Cabo Verde neste momento é conseguir entender o que é prioritàrio para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.
A noite seguinte foi fantástica... pude assistir a um dos momentos altos do Festival. POR UM PUNHADO DE TERRA era a peça escolhida para a noite no auditório do Centro Cultural do Mindelo. Terminou com o público em êxtase a aplaudir o actor deste monólogo tão efusivamente que teve que regressar por três vezes ao palco para agradecer a entusiástica ovação. Sala cheia, como aliás acontece sempre nas noites de Mindelact.
Mindelo, por estes tempos, é uma cidade que tem muito a oferecer, muito mais do que gente a procurar pelos seus encantos. Gostei de estar no Café Mindelo, na Bodeguita de Mindelo, no Vô, nas varandas do Hilário, no Tapas... numa noite sem alternativas, depois de um bom concerto de jazz ao vivo, ouvi jazz fusion num bar dito de streep-tease e acabei num baranga party a ver a praia da laginha por entre grades, qual ave de capoeira. Tive pena de não ter tido tempo suficiente para sentar e apreciar um bom vinho no Zero Point Art Galery... por vezes falta luz, mas não falta arte em Mindelo.
O Mindelact terminou com a leitura de uma mensagem escrita do Presidente da República, uma homenagem muito sentida a Enano, uma festa no pátio do CCM e uma cidade ás escuras onde as opções se encurtam e ficamos confinados aos habitáculos de dois carros em que alguns amigos resolveram fazer um tour pela noite de Mindelo.
Tenho para mim que são as pessoas que fazem os lugares e S. Vicente continua a ter gente e lugares muito agradáveis. S. Vicente continua a ter gente que se indigna com a forma como foi entregue um espaço tão importante para a cidade como é a Marina de Mindelo a um estrangeiro (não tenho nada contra os estrangeiros que vivem em Cabo Verde nem sentimentos de xenofobia) e a forma como é gerida e fiscalizada essa estrutura de assistência a embarcações de recreio e yates de pequeno porte que passam por Mindelo, onde diz-se acontecer todo o tipo de negócios obscuros que vão desde o tráfego de drogas até á prostituição infanto-juvenil; Que se indigna com o descaso que o governo vem demonstrando ao longo dos últimos anos em relação ao problema do desemprego dos jovens que se reflete nos altos níveis de criminalidade e insegurança que assola a cidade; Na falta de energia que se vem adensando, provocando grandes prejuízos a quem já se debate com muitas dificuldades para ir sobrevivendo; Na forma como os emigrantes de regresso à terra têm que negociar com os funcionários das alfandegas para poderem retirar os pertences que trazem para retomar as suas vidas em Cabo Verde... mas, também, tem gente que gosta de Jazz, de pintura, de teatro, de boa conversa á volta de uma boa garrafa de vinho. Porém, o maior desafio que me parece terem que vencer os mindelenses é esse estado de letargia em que parecem ter caído que os impede de aproveitar as oportunidades de negócio a cidade lhes oferece.
Hoje, ausente do meu torrão natal em gozo de férias, oiço que o nosso primeiro ministro discursou em crioulo nas Nações Unidas e que a distribuição de àgua e energia eléctrica na capital continua a agravar-se! Parece-me que um dos grandes desafios de quem governa Cabo Verde neste momento é conseguir entender o que é prioritàrio para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.
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